Trabalho escravo contemporâneo: a construção social de um problema público no Norte fluminense
14 de agosto de 2017
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Quem não tem é escravo de quem tem: migração camponesa e a reprodução do trabalho escravo contemporâneo

Analisar as migrações de trabalhadores de espaços subalternizados para os espaços de atração de mão de obra no Brasil, bem como a reprodução do trabalho escravo contemporâneo no país e o papel que o Maranhão tem nesse processo. Para essa pesquisa, apoio-me na dialética marxista para proceder a investigação do modo de produção no contexto da totalidade. Fizemos revisão de literatura, atrelada a busca por dados em fontes secundárias. Também Fizemos pesquisa de campo em municípios de Açailândia, Peritoró, Santa Helena, Esperantinópolis, Codó, Palmeirândia, Coroatá, realizando entrevistas com secretários municipais, assistentes sociais das prefeituras, coleta de relatos de trabalhadores migrantes e resgatados e participação em eventos organizados por entidades e organizações de trabalhadores rurais em Bacabal, Balsas e Pedreiras. A discussão acerca da migração e do trabalho escravo nos remete a existência de espaços subalternizados, onde o deslocamento de mão de obra decorre da vulnerabilidade da população migrante para atividades degradantes ou para serem aliciados para o trabalho escravo contemporâneo. O Maranhão tem se evidenciado como um dos grandes emissores de mão de obra escrava no Brasil, apresentando dados que o colocam em primeiro lugar como exportador de trabalhadores que são aliciados. Essa prática de repressão da força de trabalho evidencia uma das contradições da mobilização da força de trabalho por atividades em regiões de expansão do capital que aparecem como símbolo da modernidade no Brasil. Este tipo de trabalho significa o cerceamento da liberdade da mão de obra que tem sua força de trabalho liberada pela apropriação capitalista dos meios de produção. Ele é parte da modernidade do capitalismo contemporâneo, sendo necessário à sua reprodução, sobretudo no capitalismo dependente brasileiro. O trabalho escravo contemporâneo expõe o capitalismo como modo de produção que se apropria de formas não-capitalistas para se reproduzir e expandir.

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Fonte: http://repositorio.ufc.br/handle/riufc/18793

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